Muitos de nós aprendemos no antigo 1º Grau que uma "doce princesa" libertou os escravos por bondade. Mas a história real é menos romântica e muito mais cruel. A Abolição em 13 de maio não foi um ato de humanidade, reconhecimento de valor ou respeito à riqueza da cultura e religiosidade negra. Foi puro interesse.
Pressionado e sem condições de sustentar tamanha barbárie, o Brasil , um dos últimos a abolir a escravidão, assinou a Lei Áurea e, no dia seguinte, abandonou milhares à marginalização. Sem terra, sem teto e sem direitos, o povo negro foi empurrado para as encostas, onde surgem as favelas.
É nesse cenário que o Sistema Prisional se consolida como a continuidade da Senzala. O controle que antes era do senhor de engenho passou a ser do Estado. Se o dia 13 foi a assinatura de uma liberdade de papel, o dia 14 foi o marco da exclusão planejada.
Não há o que comemorar quando a liberdade veio acompanhada do desamparo. O racismo estrutural não é um erro do sistema, é o seu maior sucesso. Nossa luta é pelo reconhecimento dessa história e pela verdadeira reparação.
Alexandre de Xangô
